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A Expansão da Alma, do Coração e do Amor - Reflexão do Retiro no Peru

Existem jornadas que ficam na memória e existem jornadas que ficam dentro de nós.

Essa foi uma delas.


O que vivemos no Vale Sagrado não foi apenas algo que experimentamos, foi algo que nos transformou.


Desde o momento em que chegamos, havia uma sensação. Um sentir silencioso de estarmos sendo acolhidas pela terra, pelas montanhas, por algo que não conseguimos explicar, mas que todas podíamos sentir. Os jardins, as flores, a simplicidade do espaço, tudo nos convidava a desacelerar. A suavizar. A chegar não apenas ao lugar, mas a nós mesmas.



Havia algo nos pequenos detalhes. As cores, a luz, a forma como a natureza se expressava com tanta liberdade. E nesses momentos simples, fomos lembradas de pausar, de observar, de estar presentes com o que estava diante de nós.


Antes de qualquer aprofundamento, houve conexão. Simples, leve, verdadeira. Sentar juntas, rir, compartilhar, permitindo-nos estar exatamente como éramos. E sem esforço algo começou a se abrir.


Silenciosamente.

Suavemente.



A cada respiração, a cada meditação, a cada momento compartilhado, as camadas começaram a se dissolver. E, sem perceber, nossos corações começaram a se expandir.

Começamos trazendo consciência para os nossos pensamentos.

Permitindo que a mente se movesse livremente, sem tentar controlar, sem julgamento.

Apenas observando.

Percebendo os padrões, as repetições, as histórias que carregamos.

E através dessa consciência, começamos a entender que muitos dos nossos pensamentos não são criados no momento presente, eles estão conectados a experiências do passado, ao que aprendemos, ao que sentimos e muitas vezes não conseguimos processar completamente.


Essa consciência se tornou uma ponte.

Uma ponte entre a mente e o corpo.


Porque, ao observarmos os pensamentos, começamos a senti-los.

No corpo.


Também houve uma conexão muito importante através do movimento.

Todas as manhãs, vivenciamos uma experiência de yoga e consciência corporal, um convite para nos conectarmos com o corpo de forma presente e consciente.

Não eram apenas práticas físicas.

Elas se tornaram um caminho de reconexão.

De sentir o corpo, de perceber onde a energia fluía e onde havia bloqueios.

Através da respiração e do movimento, criamos espaço.


Espaço no corpo.

Espaço na mente.

Espaço no coração.


E, à medida que o corpo se abria, tudo começava a se abrir junto.

Os movimentos ajudaram a liberar tensões que estavam armazenadas, muitas vezes sem que percebêssemos. Áreas mais densas ou contraídas começaram a suavizar. A respiração guiava esse processo, trazendo consciência para cada sensação, cada emoção, cada mudança.

Foi um desdobrar suave.

Uma preparação.

Porque quando o corpo se abre, a mente se aquieta e o coração se torna mais disponível.

Então, passamos a acessar o corpo de forma mais profunda, permitindo que emoções emergissem.



Emoções que estavam esperando para serem vistas, sentidas, acolhidas.

E, ao longo do caminho, o que antes parecia pesado começou a se transformar.

Em compreensão.

Em compaixão.

Em amor


E à medida que seguimos nessa jornada interior, uma outra camada começou a se revelar.

Percebemos que muitas das emoções que sentíamos não estavam ligadas apenas ao momento presente.

Elas tinham raízes.

Em experiências anteriores. Em momentos que nos marcaram. Muitas vezes na nossa infância.

Fomos gentilmente guiadas a olhar para dentro e nos perguntar:

Quando foi a primeira vez que senti isso?

Onde aprendi essa emoção?

Que parte de mim ainda carrega isso?

E, nessa consciência…encontramos a nossa criança interior.

Não para consertar.

Não para mudar.

Mas para compreender.

Para acolher essa parte de nós com mais compaixão, mais presença, mais amor.

Houve algo muito profundo nesse processo.

Porque, ao invés de reagirmos a partir de padrões antigos; começamos a responder com consciência.

Ao invés de evitar as emoções, permitimos que elas fossem vistas.

E nesse espaço, algo se suavizou.

Algo se reorganizou dentro de nós.

Já não estávamos apenas sentindo a emoção, estávamos compreendendo.

E, através dessa compreensão, uma nova relação conosco começou a nascer.

Mais acolhedora.

Mais consciente.

Mais amorosa.


O espaço que compartilhamos sustentou esse processo de uma forma muito especial. O silêncio, a intenção, a presença, tudo nos convidava para dentro. E, aos poucos, começamos a nos encontrar com mais verdade, mais suavidade e mais profundidade.

Mas essa jornada não foi apenas sobre quietude e suavidade. Também foi sobre movimento, sobre desconforto, sobre entrar no desconhecido.



Houve momentos em que o corpo se sentiu cansado, em que a altitude nos desafiou, em que o caminho parecia íngreme. Caminhando pelas montanhas, descendo trilhas, fomos convidadas, repetidas vezes, à presença. Cada passo se tornou uma escolha—de permanecer, de respirar, de confiar.

E algo mudou.



Já não estávamos apenas passando pela experiência, estávamos dentro dela.

A natureza nos sustentou de forma muito real. Crua, verdadeira, sem filtros. A limpeza na cachoeira não foi apenas simbólica, foi sentida. A água fria, a força da queda, o convite à entrega. Não havia controle. Apenas permitir. Apenas confiar.

E, à medida que a água passava por nós, era como se algo estivesse sendo liberado, não apenas do corpo, mas de camadas mais profundas.



Nossa conexão em Machu Picchu, no Dia da Terra, foi outro momento que permaneceu profundamente dentro de nós.

Caminhar por essa cidade ancestral, em presença e consciência, nos levou a um espaço além das palavras. Uma conexão profunda com a terra, com a história e com algo maior do que nós.

E, naquele momento, fomos presenteadas com um arco-íris.

Na tradição andina, o arco-íris é visto como uma ponte entre mundos—uma conexão entre Hanaq Pacha, o mundo espiritual superior, e Kay Pacha, o mundo terreno, humano.

E ali, ao testemunharmos esse momento, era como se estivéssemos exatamente nesse espaço—entre o visível e o invisível, entre a terra e o espírito.

Um momento de alinhamento.Um momento de presença.Um momento de graça.



Também vivenciamos a Cerimônia do Chumpi—um ritual ancestral de cura Inca guiado por xamãs andinos.

Essa prática sagrada atua no campo energético do corpo, limpando e ativando os cinco principais centros de energia, da base até o topo da cabeça. Também equilibra as energias do lado direito (Paña) e do lado esquerdo (Lloque), restaurando a harmonia interior.

Através da sabedoria dos quatro elementos—Fogo, Água, Terra e Ar—essa cerimônia auxilia na liberação de tensões e ansiedade armazenadas, regulando suavemente o sistema nervoso.

Mas além de qualquer explicação…foi algo que sentimos.

Um momento de conexão.Um momento de equilíbrio.Um momento de retorno a nós mesmas.

Um dos aspectos mais poderosos dessa jornada foi permitir-nos sentir. Por completo. Sem resistência. Sem a necessidade de consertar. Apenas estando presentes com o que existia.

E nessa presença, descobrimos que as emoções não são algo a ser temido. Elas são algo a ser compreendido. Elas são caminhos.

Algo muito bonito também acontece quando nos encontramos na verdade. As barreiras se suavizam. As máscaras caem. E o que permanece é algo real. Através das experiências compartilhadas, do silêncio, do simples estar juntas… nos sentimos. E nesse espaço, o amor se expandiu—não apenas por nós mesmas, mas umas pelas outras.



Na presença das montanhas, na energia da terra, na sabedoria de tradições ancestrais, algo mais profundo despertou. Uma lembrança silenciosa de quem somos além da mente, além das histórias, além dos papéis que desempenhamos. Uma conexão com algo maior. Uma conexão com a alma.

Nesses momentos—seja caminhando pelas montanhas ou sob a água da cachoeira—fomos convidadas a algo mais profundo. Uma conexão com a natureza. Uma conexão com a vida. Uma conexão com Deus, da forma que cada uma sente e compreende.

Houve uma confiança silenciosa de que estávamos sendo sustentadas. Guiadas. Acolhidas. Mesmo no desconforto. Mesmo no desconhecido.

E, em algum ponto dessa jornada, vivenciamos o amor de uma forma diferente.

Não como algo que precisamos receber…mas como algo que somos.

Sempre presente. Sempre disponível.

E quando nos reconectamos com isso, a vida começa a se transformar. Mais leve. Mais suave. Mais alinhada.

Essa jornada não terminou no Peru.

Ela continua na forma como respiramos, na forma como reagimos, na forma como escolhemos nos ver e ver o outro. Carregamos essa expansão dentro de nós—no coração, na consciência, nas escolhas.

Algo mudou. Não de uma forma que precise ser explicada… mas de uma forma que é sentida. Uma conexão mais profunda. Um coração mais aberto. Uma forma mais suave de existir.

E um saber silencioso… de que sempre podemos retornar a esse espaço dentro de nós.

A cada mulher que compartilhou essa jornada—sua presença, sua abertura, sua coragem criaram algo verdadeiramente especial.

Isso não foi apenas um retiro.

Foi uma expansão.

Da alma.

Do coração.

Do amor.


 
 
 

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